11 novembro 2009

Reflexões de Fernando Pessoa

Emoção e Poesia

Quem quer que seja de algum modo um poeta sabe muito bem quão mais fácil é escrever um bom poema (se os bons poemas se acham ao alcance do homem) a respeito de uma mulher que lhe interessa muito do que a respeito de uma mulher pela qual está profundamente apaixonado. A melhor espécie de poema de amor é, em geral, escrita a respeito de uma mulher abstrata.

Uma grande emoção é por demais egoísta; absorve em si própria todo o sangue do espírito, e a congestão deixa as mãos demasiado frias para escrever. Três espécies de emoções produzem grande poesia - emoções fortes e profundas ao serem lembradas muito tempo depois; e emoções falsas, isto é, emoções sentidas no intelecto. Não a insinceridade, mas sim, uma sinceridade traduzida, é a base de toda a arte.

8 comentários:

Dulce disse...

Heli,

Tem selinho para você lá no Prosa. Dê uma passadinha lá para retirar.
Beijos.

ney disse...

Esse Fernando Pessoa era mesmo um gênio, um MESTRE, a lucidez total, e ele não pretendeu ser, foi naturalmente, porque a coerência é total. Tão grande que um só não poderia explicá-lo, dai seus heterônimos.
" Uma grande emoção é por demais egoísta; absorve em si própria todo o sangue do espírito, e a congestão deixa as mãos demasiado frias para escrever." (Lucidez total). ney.

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDA HELI, FICO MUITO FELIZ DE RECEBER O TEU MIMO...OBRIGADA DE CORAÇÃO... ABRAÇOS DE AMIZADE,
FERNANDINHA

heli disse...

Dulce.
Obrigada pelo carinho, já passo lá para apanhá-lo.
Beijos

heli disse...

Ney.
Achei fantástica a reflexão feita pelo Fernando Pessoa.Ele realmente fala ao nosso coração.
beijos

heli disse...

Fernandinha.
Fico feliz que tenha gostado do nosso mimo.Você está sempre presente em nosso blog e isso nos alegra muito.
Abraços com carinho,
heli

Carlos Albuquerque disse...

"Tão grande que um só não poderia explicá-lo", como diz o Ney. Certo!
Ele não era um ser daqui. O seu espaço era o Universo. Quem senão ele poderia dizer ao heterónimo Bernardo Soares para escrever:
"Ah, é um erro doloroso e crasso aquela distinção que os revolucionários estabelecem entre burgueses e povo, ou fidalgos e povo, ou governantes e governados. A distinção é entre adaptados e inadaptados: o mais é literatura e má literatura. O mendigo, se é adaptado, pode amanhã ser rei, porém perdeu com isso a virtude de ser mendigo. Passou a fronteira e perdeu a nacionalidade".
Beijos daqui

ney disse...

Verdade, Carlos, sua compreensão de vida foi plena em todas as dimensões, de espaço, tempo, humanidade, dita com amor e simplicidade, e assim se tornou duradoura, ou melhor, eterna. E dizem que poderia ter usado a língua inglesa, na época projetaria seu nome para muito além, mais uma vez preferiu a coerência com suas identidades. ney/