30 junho 2009

A POESIA DE DRUMMOND - Balada do amor atrás das idades



Clique no TÍTULO acima e veja a criatividade de Drummond neste poema de amor que viaja por diversas épocas. E são tantos e diferente momentos, realidades, circunstâncias, transformações, e Drummond encerra num THE END Hollywoodiano de final feliz.
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Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais
Eu era grego, você troiana,
troiana, mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal da cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
Boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
Eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos. (Carlos Drummond de Andrade)

Um abraço que envolve a alma...


Para mim, nada pode ser melhor do que um abraço...

Qualquer que seja o abraço, dado no momento certo, ou em qualquer momento, é sempre uma demonstração de carinho, de afeto, de amizade. Ser estreitado num abraço recompõe a nossa alma, aquece nosso coração, anima nosso espírito, minora nossa dor e, na forma como se á abraçado, sabemos o quanto esse abraço significou para quem nos abraça. Um abraço ligeiro, meio distante, pode significar timidez, ou indiferença, dado como que por obrigação. Um abraço mais rígido pode ser dado por uma pessoa mais endurecida pela vida, menos carinhosa ou que não se sinta a vontade para exprimir seus proprios sentimentos. Um abraço amigo, ah, que delícia, apertado, gostoso, uma união de quem se quer bem.
Mas o melhor de todos, o abraço carinhoso que abrange corpo e alma, que envolve, que acolhe, que faz o mundo girar mais rápido, que nos faz esquecer que há outras vidas em torno de nós... ah... esse abraço... É quase uma comunhão de almas...
Pessoas há que esperam esse abraço por toda uma vida e levam, ao partir, a frustração de nunca o terem sentido. Porque há pessoas que se amam, se abraçam, mas não se doam. Como há pessoas que acham que o amor só é demonstrado através do beijo, quando na verdade, o beijo complementa o abraço, já que raramente acontece o beijo sem o abraço... Mas o abraço pode acontecer sem o beijo e ser maravilhoso.
Passei toda a minha adolescência sonhando com um abraço. Nem queria mais... só que ele me desse "o abraço", aquele vindo da alma, dado com o coração, aconchegante, terno, doce, acima de qualquer desejo, apenas um abraço... Ficou o sonho irrealizado, como tantos que minh'alma abrigou ao longo de minha vida. E a vida ficou me devendo esse abraço...
Tive amores, tive amigos, tive tantos abraços, mas continuava a pensar em como teria sido bom "aquele" abraço que não tivera nos meus verdes anos. e acho que a vida, cansada de tanto me ver lembrar desse inexistente abraço, teceu seus pauzinhos e me colocou, mais de cinquenta anos depois, frente a frente com minha primeira paixão. Numa reunião de amigos, lá estava ele, envelhecido, como eu, mas com o mesmo brilho no olhar. Muitas conversas, risos, casos contados, momentos de descontração, de alegria e ao final, na despedida... o abraço! E aí a vida pagou sus dívida! Em não mais que segundos, o mundo girou mais rápido, as pessoas em volta já não existiam, Tudo era só ternura, carinho, afeto. Pareceu que nossas almas se abraçavam após séculos de ausência... Um abraço e mais nada... Um abraço que foi tudo... Um abraço... O meu tão sonhado abraço...

Dulce Costa
No último dia do mês de junho do ano de dois mil e nove


A magia da poesia de Mário Quintana

EU QUERIA TRAZER-TE UNS VERSOS MUITO LINDOS

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel...
Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!

Mario Quintana (Quintana de Bolso)

28 junho 2009

Vinícius de Moraes - Um poeta na madrugada...


Soneto da separação


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente

27 junho 2009

Um pensamento...


"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."

(Carice Lispector)

25 junho 2009

UM POEMA DE MÁRIO QUINTANA

EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mario Quintana - A Cor do Invisível

24 junho 2009

Drummond no seu anoitecer...


"Um dia desses, eu separo um tempinho e ponho em dia todos os choros que não tenho tido tempo de chorar."


(Carlos Drummond de Andrade)

23 junho 2009

Desempenho escolar sem comparação


Se a comparação entre irmãos é natural ao longo da vida, quando eles dividem a vida escolar – principalmente se as idades forem próximas – confrontar os seus desempenhos pode ser praticamente inevitável. Em muitos casos, a pergunta retórica “por que você não é tão estudioso quanto o seu irmão?” impera nos sermões familiares. Educadores, porém, alertam que a prática pode ser devastadora e orientam os pais: é preciso reconhecer e respeitar as diferenças entre os filhos.

Texto completo em:

Nesta Véspera de São João, a poesia de Manoel Bandeira


Profundamente

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

*Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.


22 junho 2009

FERNANDO PESSOA - Um poeta do meu coração

TRAPO

(Alvaro de Campos)

O dia deu em chuvoso.
A manhã, contudo, esteve bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
Desde manhã eu estava um pouco triste. Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso.
Bem sei, a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim.
Hoje quero só sossego.
Até amaria o lar, desde que o não tivesse.
Chego a ter sono de vontade de ter sossego.
Não exageremos!
Tenho efetivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.
Carinhos? Afetos? São memórias...
É preciso ser-se criança para os ter...
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.
Boca bonita da filha do caseiro,
Polpa de fruta de um coração por comer...
Quando foi isso? Não sei...
No azul da manhã...
O dia deu em chuvoso.

20 junho 2009

A ARTE DE SER AVÓ

Um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou parto, o doutor lhe põe nos braços uma criança. Completamente grátis - nisto é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. No entanto - no entanto! - nem tudo são flores no caminho da avó. Há acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe. Não importa que ela ensine à criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ela de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga, a rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar. Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas programadas, leva a passear, "não ralha nunca", deixa se lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô que se quebrou porque ele - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque ninguém zangou, o culpado foi a bola mesmo, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é uma relíquia: não tem dinheiro que pague!

Raquel de Queiroz

19 junho 2009

A MASSACRANTE FELICIDADE DOS OUTROS

A MASSACRANTE FELICIDADE DOS OUTROS - Martha Medeiros

Clique no TÍTULO acima.

DIVÃ

Falando em Martha Medeiros (postagem anterior), gostei muito do filme DIVÃ, inspirado numa obra dela. Ótimas interpretações.
VEJA O TRAILER CLICANDO NO TÍTULO ACIMA.

18 junho 2009

A JANELA DOS OUTROS




A JANELA DOS OUTROS

"Parece uma parábola, mas acontece todo dia: A gente só tem olhos para o que mostra a nossa janela, nunca a janela do outro. O que a gente vê é o que vale, não importa que alguém bem perto esteja vendo algo diferente."
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Veja na íntegra clicando no TÍTULO acima.
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Na foto coloquei cores diferentes na janela, olhares diferentes...

Ser estrela ou ser cometa...

(Foto NASA)

Há pessoas estrelas, há pessoas cometas.
Os cometas passam e apenas são lembrados pelas datas que passam e retornam.
As estrelas permanecem. Os cometas desaparecem.
Amigo é estrela. Podem passar anos, podem surgir distâncias, mas a marca fica no coração.
E muitos são os cometas... Por um momento passam, a gente bate palmas e então desaparecem.
Ser cometa é não ser amigo. É ser companheiro por instantes. É explorar sentimentos. É ser aproveitador de pessoas e de situações. É fazer acreditar e desacreditar ao mesmo tempo.
A solidão de muitas pessoas é consequência de não poderem contar com ninguém. A solidão é resultado de uma vida cometa. Ninguém fica. Todos passam. E a gente passa pelos outros.

Estrelas nos iluminam nos momentos escuros. São esperanças no momento de desânimo.
Olhando os cometas percebemos como é bom não nos sentirmos como eles. Nem desejarmos prender-nos em sua cauda. Observando os cometas percebemos como é bom nos sentirmos estrela... Ter sido luz para muitos amigos. Ter sido calor para muitos corações.
Ser estrela nesse mundo passageiro, nesse mundo cheio de pessoas cometas, é um desafio que vale a pena ser enfrentado.

(Autor desconhecido)

Não se educa com proibição!

Denise Vilardo
De acordo com a Lei 5.453/09, recém-sancionada pelo governador do Estado do Rio de Janeiro, está proibido, nas salas de aula, bibliotecas e outros espaços de estudo das escolas da rede estadual, o uso de aparelhos MP3, MP4, walkman®, game boys, agendas eletrônicas e máquinas fotográficas, além dos celulares.
Convido todos os interessados a fazer uma reflexão comigo a partir da seguinte premissa: qualquer atitude de proibição, pura e drasticamente, deseduca mais do que educa.
Todas as vezes que lidamos com o que é proibido temos mais vontade ainda de realizá-lo. Isso é natural do ser humano. Proibir por proibir ou criar mecanismos de censura ao que julgamos que deva ser censurado costuma acirrar mais ainda a vontade de alcançar o objeto de desejo. E aí, fatalmente, as crianças e jovens (porque são saudáveis)vão procurar meios de burlar o que está sendo negado a eles.
Lidar com máquinas e aparelhos eletrônicos, para essa geração de crianças e jovens com os quais estamos convivendo, faz todo sentido. Não se trata de ser bom ou ruim. Estão aí, e a nossa tarefa é transformar essa relação em algo produtivo, que gere novos conhecimentos. Qualquer coisa menos que isso significa que estamos subutilizando as máquinas ou que temos medo delas...
Mas também não acredito no "pode tudo", porque essa atitude também não educa. É preciso conversar, reconversar, criar consciência, discutir os não-pode e estabelecer acordos. Acordos de horários, acordos sobre os tipos de jogos que são mais ou menos adequados, acordos sobre a utilização de aparelhos eletrônicos nos espaços de estudo etc. E cabe aos adultos da relação, cumprir os acordos. Isso significa educar.
Algumas questões são fundamentais, e, na minha experiência de mãe e educadora de jovens (trabalho com jovens na faixa dos 15 aos 21 anos), creio que a mais importante de todas é a coerência. Coerência entre o que pensamos, sentimos e agimos.
Não se educa com um discurso diferente da maneira como agimos.
Não dá pra ficar fazendo discurso de ter que ser respeitador se o jovem não percebe o respeito nas relações que ele vivencia. Não dá pra dizer pro menino não ser preconceituoso se ele observa a maneira pouco digna com que adultos (pais, professores) tratam as pessoas que são diferentes deles.
Vamos sair do senso comum e abandonar os estereótipos que marcam os jovens como aqueles seres difíceis, inadaptáveis, que “não querem nada”...
Eles querem, sim, querem ser tratados como pessoas que pensam, capazes de tomar decisões; querem também perceber que somos coerentes (nós, os adultos). Eles não acreditam é na hipocrisia e odeiam ser enganados pelos outros.
Olho no olho. Sempre. Verdade. Franqueza. Virtudes. Fragilidades. Consistência.
Outra coisa que considero fundamental, além da coerência, é não nos esquecermos de como éramos quando adolescentes. Quais eram nossos sonhos, em que pensávamos, o que fazíamos para “enganar” nossos pais e professores, como gostaríamos de ter sido tratados. Essa medida – de como éramos – nos ajuda muito a entender quem eles são e como eles agem.
E por último, da minha lista de “fundamentais”: não ter medo de dar limites, não ter medo de dizer não. E não é o não pelo não. É o não argumentado, denso, com propósito. É o não que convence.
Somos seres sociáveis e, como tais, estabelecemos compromissos de convivência para podermos avançar nos nossos propósitos comuns.
Nada do que falei é fácil de ser realizado no dia-a-dia, mas é possível e é bom que seja tentado.
Este texto aparentemente sem nexo vem questionar, por fim, por que os professores do Estado do Rio de Janeiro precisam de uma lei para lhes dizer o que pode/deve ou o que não pode/não deve ser feito dentro do espaço escolar. Por que os professores precisam dessa tutela?
Quer dizer que vamos abrir mão de todas as possibilidades educadoras que os MPs, celulares, câmeras fotográficas etc. nos trazem porque não sabemos dizer não? É isso mesmo, professores? Quer dizer que não sabemos mais educar? Precisamos de leis para dizer o que é adequado ou não nas nossas salas de aula?
Não é nosso dever, educadores que somos, ensinar nossos alunos a utilizar as tecnologias, sabendo tirar o melhor proveito delas, com espírito crítico e ético? Não somos nós que temos que estar na vanguarda do processo pra poder ajudar os nossos alunos a compreender melhor o mundo em que vivem?
Como vamos fazer isso nos escondendo do mundo?
Não se educa com proibição. Educa-se com consciência.
16/06/2009

O SILÊNCIO


Convivência entre o poeta e o leitor, só no silêncio da leitura a sós. A sós, os dois. Isto é, livro e leitor. Este não quer saber de terceiros, não quer que interpretem, que cantem, que dancem um poema. O verdadeiro amador de poemas ama em silêncio...

Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo

17 junho 2009

Um pensamento... Fernando Pessoa


"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."

16 junho 2009

A poesia de Manoel Bandeira na sua tarde

Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento. . . de desencanto. . .
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente. . .
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

– Eu faço versos como quem morre.

15 junho 2009

DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Mario Quintana - Espelho Mágico

14 junho 2009

13 junho 2009

SANTO ANTONIO


.13 DE JUNTO - DIA DE SANTO ANTONIO - Boas lembranças das festas juninas, fogueira, batata doce, quentão, pamonha, cachorro quente, amendoim, dança de quadrilha, casamento na roça, pau-de-sebo, dança da maçã, pescaria, corrida de sacos, corrida de ovo na colher, barraca do coelhinho, pescaria, argolas, derrubar latas, ruas enfeitadas de bandeirinhas. A fogueira era colocada no meio do campinho de futebol (os antigos terrenos baldios). Os adultos diziam para nós, os menores, que brincar com fogo leva a fazer xixi na cama. Os homens com chapéu de palha, bigode pintado com rolha queimada, camisa xadrez e remendos nas calças. As mulheres usavam vestidos estampados e o cabelo preso em Maria Chiquinha. E começava a quadrilha: Anavantur - anarriê - passeio na roça - damas para um lado - Changê de damas - changê de cavalheiros - balancê ...
E tinha o CORREIO ELEGANTE dos bilhetinhos apaixonados: "Se jogares fora esta carta, me amas. / Se rasgares, me adoras. / Se guardares, por mim choras. / Se queimares, comigo queres casar."As estrelas nascem no céu, / os peixes nascem no mar, / Eu nasci aqui neste mundo / somente para te amar!""As vezes fico pensando / pensando não sei em quê / mas no fim do pensamento / eu só penso em você."
E NO AUTO-FALANTE DAS QUERMESSES as mensagens oferecendo músicas e mensagens de amor: Atenção garota de trança e vestido vermelho, tem alguém te esperando atrás da barraca do coelhinho!
Esta música que vamos ouvir foi oferecida pelo João para a Maria; Esta música é dedicada ao rapaz de calça preta que está na barraca do quentão... quem mandou foi a morena de vestido branco que está na barraca do cachorro-quente.

Quintana neste final de sábado...

DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

Mario Quintana - Espelho Mágico

11 junho 2009

BRINCAR DE VIVER - Composição de Guilherme Arantes

http://www.youtube.com/watch?v=znBLGo6Hll8&feature=PlayList&p=C8507B1BD0EBB98E&playnext=1&playnext_from=PL&index=3

CORPUS CHRISTI









Minha bicicleta hoje me levou ao centro da cidade, fui ver e andar pela principal avenida da cidade, sem trânsito e toda colorida, coberta pelos tapetes de sal grosso tingido com corantes, serragem, pó de café, algodão etc., trabalho criativo feito por escolas e entidades religiosas. No final do dia por ela passa a procissão de Corpus Christi. Tradição religiosa que vem do final do século XVII, esses tapetes foram criados inicialmente em Mariana-MG., e depois se espalhou por todo o país. http://www.youtube.com/watch?v=hq21qKN4nuY

Mário Quintana-OS POEMAS



Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mario Quintana - Esconderijos do Tempo

AS INDAGAÇÕES


"A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas".
Mario Quintana

10 junho 2009

ADRIANO, O LÚCIDO

Por Marcelo Badaró Mattos

"Adriano, pela etimologia significa: “O que possui pele morena”. Pela história, associamos tal nome ao imperador que governou Roma entre 117 e 138. No Brasil, hoje, Adriano é um jogador de futebol que gerou espanto."

Clique no título e leia o texto completo.

Fonte: www.fazendomedia.com

VELHOS "REMÉDIOS" NA EDUCAÇÃO CARIOCA: EDUCAR PARA QUÊ E COMO?

Por Cecilia Goulart e Maria Luiza Oswald (*)

"Preocupam-nos os primeiros resultados da avaliação de desempenho de crianças da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, divulgados na mídia. Alguns fatos e reflexões nos vêm à tona. O fracasso escolar tem sido historicamente uma marca da educação brasileira, especialmente..."

Clique no título e leia o texto completo.

Fonte: www.fazendomedia.com

ELOGIO


A TERAPIA DO ELOGIO - Arthur Nogueira


09 junho 2009

A ABELHA



Clique na imagem para ampliá-la (foto ney)

A abelha para o Ney:

- Seu abelhudo, estou de olho em você, se chegar mais perto com essa câmera vai levar uma ferroada. Estou aqui tirando o néctar da flor e vem você bisbilhotar?
********************
Nada se assemelha à alma como a abelha. Esta voa de flor para flor, aquela de estrela para estrela. A abelha traz o mel, como a alma traz a luz. Victor Hugo.

COMENTÁRIO

Essa disposição do blog é boa, fica mais bonita, deixem assim, mas eu coloquei muitas fotos e ocupei um espação. Estou querendo colocar a natureza na telinha com minha mania de clicar (rs).
Eu dei uma volta no lago clicando aqui e ali... depois voltei pelo mesmo caminho apreciando e curtindo a natureza, deixando só na memória.
Quando criança o mundo é uma novidade e nos encanta em cada detalhe, sabemos tudo que existe em cada lugar que passamos. Depois vem a idade da razão e das correrias, muitas vezes passamos batidos correndo atrás de nossos espaços, lugares ao sol, às vezes nem reparamos nos caminhos. A "roda-viva" como diz o Chico Buarque, e "quem passa não liga já vai trabalhar", como ele diz também em Olê Olá.
Com os filhos e netos nos encantamos com os olhares deles chegando ao mundo e vendo as novidades. Agora no outono da vida voltamos a perceber com mais calma as estações. Tenho minhas preferências pelo outono e primavera, nem frio nem calor, nem tanta chuva, nem tanto sol. E vamos nós...

08 junho 2009

OUTONO NA SERRA












Clique sobre as imagens para ampliá-las (fotos ney) - Teresópolis-RJ.
Hoje voltei lá serra, céu azul, nuvens brancas, um frio gostoso, paisagens de outono... Viva a natureza! ney/
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Quero apenas cinco coisas... Primeiro é o amor sem fim. A segunda é ver o outono. A terceira é o grave inverno. Em quarto lugar o verão. A quinta coisa são teus olhos. Não quero dormir sem teus olhos. Não quero ser... sem que me olhes. Abro mão da primavera para que continues me olhando. Pablo Neruda.

06 junho 2009

Um passeio pelo Avenida Paulista na tarde de sábado.

(clique na foto para amplia-la)

Enquanto a Heli curte o maior frio lá em Curitiba, aqui em São Paulo uma tarde muito linda, como vocês podem ver nesta foto que tirei hoje, lá na Av. Paulista, a caminho de um delicioso café, com meu filho e meus netos.
Muito raro, por aqui uns dias tão bonitos, a ordem foi aproveitar.

Frio



Pois é amigos.
O frio chegou prá valer aqui em Curitiba.

Um sábado com Fernando Pessoa

Um pensamento

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

05 junho 2009

Dia mundial do meio ambiente

E nós? Como ajudamos a preservar nosso planeta hoje?

O Dia Mundial do Meio Ambiente, há 37 anos celebrado mundialmente aos 5 de Junho, tem como tema em 2009 : "Seu planeta precisa de você: Unidos contra as mudanças climáticas” catalizando a atenção e ação política de povos e países para aumentar a conscientização e a preservação ambiental, visando:1. Mostrar o lado humano das questões ambientais; 2. Capacitar as pessoas a se tornarem agentes ativos do desenvolvimento sustentável; 3. Promover a compreensão de que é fundamental que comunidades e indivíduos mudem atitudes em relação ao uso dos recursos e das questões ambientais; 4. Advogar parcerias para garantir que todas as nações e povos desfrutem um futuro mais seguro e mais próspero. É cada vez maior a urgência de que nações atuem de maneira harmônica para fazer frente às mudanças climáticas, para manejar adequadamente suas florestas e outros recursos naturais e para erradicar a pobreza.


04 junho 2009



"A vida é a infância da nossa imortalidade."

Goethe

Dança comigo?


(Renoir - Danse a la ville - Detalhe)

Na noite fria, o crepitar da lenha queimando na lareira e o calozinho que se espalhava pela sala iluminada pelo abajur e pelas velas nos castiçais sobre o aparador, a musica suave... puro aconchego.
O jantar simples, mas delicioso, o vinho perfeito, e tanta coisa a dizer...
Mas ficaram ali em silêncio, ouvindo a musica, permitindo que o momento envolvesse suas almas...
Ele estendeu a mão convidando-a para dançar e ao colocar sua mão na dele, ela sentiu um leve estremecimento e pareceu-lhe que a sala fora envolvida por um suave perfume de rosas... Deu-se conta de que dançavam juntos pela primeira vez. E lá estava ela, presa em seus braços exatamente como sonhara durante toda a sua adolescência...
E era tal o encanto que a maturidade fantasiou-se de adolescência e assim enlaçados foram seguindo o doce compasso da musica, num instante que, ainda que breve, perduraria para sempre em sua memória, em seu coração.

Dulce Costa
Na fria madrugada do dia quatro de junho do ano de dois mil e nove

03 junho 2009

Um amigo...


(Ralph Emersos)

"Um amigo é uma pessoa com a qual posso ser sincero. Diante dele posso pensar em voz alta."


02 junho 2009

O que é vida?

Sobre a morte e o morrer
Rubem Alves
O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define?

Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...

Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.

Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”

Texto completo em:
http://www.releituras.com/rubemalves_menu.asp

01 junho 2009

Lula, o nosso presidente...

Pois é, os números indicam que está tudo bem, que a maioria dos brasileiros estão contentes!!
A Candidata Biônica está em evidência!!

Aprovação de Lula sobe e intenção de voto em Dilma cresce, diz Sensus

BRASÍLIA (Reuters) - A aprovação pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a um dos patamares mais altos registrados desde o início do primeiro mandato, informa pesquisa Sensus divulgada nesta segunda-feira.

A sondagem mostrou ainda que a pré-candidata do PT à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, reduziu a diferença para seu concorrente principal, o governador paulista José Serra (PSDB).
Lula recebeu aprovação de 81,5 por cento dos entrevistados em maio frente a 76,2 por cento em março, segundo o instituto Sensus, em pesquisa encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). A avaliação positiva do governo Lula também subiu, para 69,8 por cento, frente a 62,4 por cento em março.

Em meio à crise financeira mundial, o crescimento dos índices é resultado de uma melhor percepção da economia brasileira, segundo o Sensus.

Na corrida para a sucessão presidencial de 2010, Dilma aumentou a intenção de voto para 23,5 por cento, frente a 16,3 por cento em março. Em sentido inverso, Serra tinha 45,7 por cento em março e passou para 40,4 por cento em maio.

Esta é uma das primeiras pesquisas realizadas depois que Dilma anunciou que faz tratamento para combater um câncer linfático.
(Reportagem de Natuza Nery)

SEGUNDA-FEIRA FRIA E CHUVOSA

Manhã de nuvens escuras, segunda-feira chuvosa e fria, rua vazia, nostalgia... mas tem música e poesia, e liberdade, nesse XOTE DOS POETAS:
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A delicadeza de um Haicai - Matsuo Bashô

(clique na imagem para ampliar)

"Este caminho!
sem ninguém nele,
escuridão de outono."