22 outubro 2009

Raízes – Sidónio Muralha

2008-05-16-2335-46_editado 

Velhas pedras que pisei
Saiam da vossa mudez
Venham dizer o que sei
Venham falar português
Sejam duras como a lei
E puras como a nudez.

Minha lágrima salgada
Caíu no lenço da vida
Foi lembrança naufragada
E para sempre perdida
Foi vaga despedaçada
Contra o cais da despedida.

Visitei tantos países
Conheci tanto luar
Nos olhos dos infelizes
E porque me hei-de gastar?
Vou ao fundo das raízes
E hei-de gastar-me a cantar.

Um comentário:

ney disse...

Disse bem de todo esse aprendizado, ínclusive a lágrima salgada, naufragada... mas ficaram fortes as raízes, sustentando o cantar.
Refletindo sobre o seu texto, e repensando a minha rua, resolvi ampliar este comentário num novo texto (post). Não sei se vou conseguir, mas vale tentar, tirar da mudez, trocar, somar, chegar junto. Abraço, ney.