
Espaço disponível para que todos possam "chegar junto" com textos, fotos, artigos, links...
30 agosto 2009
Quintana nesta bela manhã de domingo

28 agosto 2009
Por quem foi que me trocaram-Fernando Pessoa
Quando estava a olhar pra ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri.
Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele está feito
É que tens para mo dar.
Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim...
Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim?
Fernando Pessoa
FESTA
27 agosto 2009
FELIZ ANIVERSÁRIO!
Um grande abraço, Jards.
Aproveito o espaço para mandar beijos para a Dulce e a Heli, que prepararam a festa aqui no "chega junto".
Hoje é dia de festa
Sejam bem vindos a esta especial festa de aniversário...

E por isso convidamos a todos os nossos amigos e leitores a festejarem conosco esta data tão especial para o blog e para todos nós da equipe.
Sirvam-se de uma taça de champanhe ou, se preferirem, de um copo de Coca-cola, a bebida favorita do aniversariante. Ergam seus copos ou suas taças e brindemos ao Ney, desejando a ele toda a felicidade do mundo.
Tchin-tchin...
NOSSOS MAIS SINCEROS PARABENS AO NOSSO QUERIDO AMIGO !
26 agosto 2009
Drummond, sempre Drummond...
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
Falando em presente...
Esperamos que ele apareça, pois amanhã é seu aniversário e estamos preparando aqui no blog uma festa para ele...
A torta de chocolates com morangos está sendo preparada com muito carinho(rs).
Presente
24 agosto 2009
Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa, 1931.
23 agosto 2009
O AMOR
22 agosto 2009
Três professores, um só modo de ser petista.
Chauí já foi alvo de nossas discussões nos tempos do Buteco.
Janine e Mercadante fazem parte desse cenário que nos envolve, mas que não estamos mais nem aí...
Cansamos da política e da politicagem.
"Na época do "mensalão", Chauí recebia sua duplicação de salário no Conselho Nacional de Educação e, então, rasgou seu diploma de filósofa e passou a defender o partido, perdendo toda e qualquer visão crítica.Na mesma época, o professor de ética Renato Janine Ribeiro, também no governo, fez um tortuoso raciocínio para dizer que não se podia julgar o governo por questões morais.
Por sua vez, Mercadante, quando descobriu que também a campanha dele havia sido financiada pelos empréstimos complicados do PT, chorou lágrimas de crocodilo na TV.
Bom, isso tudo foi em 2005. Agora, em 2009, o que se passa? O "episódio Sarney" produziu o que? Chauí e Janine apenas gastam o dinheiro que ganharam no governo, e fingem que não está acontecendo nada. E Mercadante nem chora mais. Foi ao Lula dizer que iria deixar a liderança do PT e voltou com o rabinho entre as pernas dizendo que não ia mais fazer isso. Ou seja, certamente Lula mostrou a ele, Mercadante, o que perderia se ficasse rebeldinho.
Três professores, um só modo de ser petista - o único modo que restou, que é o de ser sempre um oportunista cara de pau".
Paulo Ghiraldelli Jr.
Nem todas as manhãs são azuis...

Em certos dias você acorda e, antes mesmo de abrir os olhos sabe que o dia está azul, lindo, porque sua alma parece despertar entre luzes e cores, entre musica e poesia. Então você salta da cama abre a janela imaginando ver o sol iluminando a cidade e, mesmo que assim não o seja, você vê um dia radioso diante de si e sai para a vida cantarolando doces canções,.
Mas há dias em que, ao acordar, sentindo a alma toda em nostalgia, antes mesmo de abrir os olhos, imagina um céu cinzento lá fora, nuvens negras prenunciando temporais, ventos fortes fustigando as árvores... Assustada, você abraça a si mesma, como a pedir carinho ao próprio coração, encolhe-se entre os lençóis, sentindo doer uma ausência, buscando um refúgio inexistente dentro de você para aquele momento. Então deixa-se ficar assim, enrodilhada, frágil e tão sozinha até que lágrimas de saudade venham lavar-lhe a alma, trazendo paz ao seu coração. E você sente que a ausência se fez presença, uma presença que a envolve ternamente, como a dizer: “não chore, estou aqui, sempre estarei aqui, dentro de seu coração”...
E quando, finalmente, erguer-se da cama, ao abrir a janela para a vida, sabe que vai encontrar um céu suavemente azulado, um sol que docemente doure a paisagem, ainda que esteja chovendo e que a ventania curve as árvores da rua... Então você sai para a vida levando um sorriso de ternura nos lábios e uma saudade amiga como companheira, e seu dia finalmente amanhece em paz...
20 agosto 2009
Ao cair da tarde, poesia...
Aqui está minha vida - esta areia tão clara
com desenhos de andar dedicados ao vento.
Aqui está minha voz - esta concha vazia,
sombra de som curtindo o seu próprio lamento.
Aqui está minha dor - este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança - este mar solitário,
que de um lado era amor e do outro, esquecimento.
18 agosto 2009
SENTIMENTOS
http://www.youtube.com/watch?v=UZcoSTXjWRE
A REDE

Há momentos...

Sonhe com aquilo que você quiser. Vá para onde você queira ir. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade.
(Clarice Lispector)
17 agosto 2009
Quero - Carlos Drummond de Andrade
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte, como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
Carlos Drummond de Andrade
16 agosto 2009
E há tantas pedras pelos caminhos...
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
15 agosto 2009
A arte de viver!!!
Mas como é difícil!
Mário Quintana
13 agosto 2009
Sementes.
Um outro querer...
12 agosto 2009
chove lá fora...
Divido-a com vocês.
TRAPO
(Alvaro de Campos)
O dia deu em chuvoso.
A manhã, contudo, esteve bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
Desde manhã eu estava um pouco triste.
Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso.
Bem sei, a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim.
Hoje quero só sossego.
Até amaria o lar, desde que o não tivesse.
Chego a ter sono de vontade de ter sossego.
Não exageremos!
Tenho efetivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.
Carinhos? Afetos? São memórias...
É preciso ser-se criança para os ter...
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.
Boca bonita da filha do caseiro,
Polpa de fruta de um coração por comer...
Quando foi isso? Não sei...
No azul da manhã...
O dia deu em chuvoso.
11 agosto 2009
O bicho - Manuel Bandeira
10 agosto 2009
ESCULTURAS, ARTE E ARTESANATO (clique aqui)
http://curiosidadesnanet.wordpress.com/2008/07/22/arte-com-galhos/
http://www.dormiu.com.br/curiosidades/cavalos-de-madeira-por-heather-jansch-7899/
http://www.youtube.com/watch?v=gB_pnvYF3xc&feature=related
09 agosto 2009
ANOITECER - FLORBELA ESPANCA
Anoitecer
A luz desmaia num fulgor de aurora,
Diz-nos adeus religiosamente...
E eu que não creio em nada, sou mais crente
Do que em menina, um dia, o fui... outrora...
Não sei o que em mim ri, o que em mim chora,
Tenho bençãos de amor pra toda a gente!
E a minha alma, sombria e penitente,
Soluça no infinito desta hora...
Horas tristes que vão ao meu rosário...
Ó minha cruz de tão pesado lenho!
Ó meu áspero intérmino Calvário!
E a esta hora tudo em mim revive:
Saudades de saudades que não tenho...
Sonhos que são os sonhos dos que eu tive...
Florbela Espanca
08 agosto 2009
FELIZ DIA DOS PAIS!
Vossos filhos-Khalil Gibran
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos.
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a Sua força para que Suas flechas se projetem rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria: pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável."
( De "O Profeta" - Gibran Khalil Gibran )
07 agosto 2009
Gripe H1N1(Clique aqui)
Alguns assuntos são difíceis de ser tratados pela seriedade com que se apresentam.
Aqui em Curitiba, todas as aulas estão suspensas.
Problema maior é a falta de informações sobre a real situação do crescimento no número de casos da gripe H1N1. .
Sei que há muitas outras cidades enfrentando o mesmo tipo de problema.
Para quem desejar saber como está a situação da Educação aqui em Curitiba, acesse o site:
http://www.cidadedoconhecimento.org.br/cidadedoconhecimento/
Um pensamento
06 agosto 2009
Comemorar com amigos é bom demais!...
Parabéns Alexander!
(HAPPY BIRTHDAY TO US)
05 agosto 2009
Preparativos para a festa de aniversário.
A VIDA - Henfil
(Henfil)
"Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga.
Aí sim, a vida de verdade começaria.
Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade.
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade.
A felicidade é o caminho!
Assim, aproveite todos os momentos que você tem.
E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo;
e lembre-se que o tempo não espera ninguém.
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade;
Até que você volte para a faculdade;
até que você perca 5 quilos;
até que você ganhe 5 quilos;
até que você tenha tido filhos;
até que seus filhos tenham saído de casa;
até que você se case;
até que você se divorcie;
até sexta à noite;
até segunda de manhã;
até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova;
até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos;
até o próximo verão,
outono, inverno;
até que você esteja aposentado;
até que a sua música toque;
até que você tenha terminado seu drink;
até que você esteja sóbrio de novo;
até que você morra;
E decida que não há hora melhor para ser feliz do que AGORA MESMO…
Lembre-se:
“Felicidade é uma viagem, não um destino”.
04 agosto 2009
ANIVERSÁRIO
Quem será?
POESIA
ENSEADA

O colorido da natureza nesses reflexos dos barcos ancorados, das nuvens, do céu azul, da vegetação, da gaivota no seu vôo solitário, diz um pouco dessa comunidade de pescadores, e de suas aventuras no mar. (ney)
FLORBELA ESPANCA - Poesia para sua noite
O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta,
Do tempo que passava, que fugia!
Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe já desponta!
Um engano que morreu...e logo aponta.
A luz doutra miragem fugidia...
Eu bem sei, meu amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.
Eu bem sei, meu amor, que era preciso
fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir.
Cartas de amor...
02 agosto 2009
CEGUEIRA BENDITA-Florbela Espanca
CEGUEIRA BENDITAFlorbela Espanca
Trocando Olhares - 24/04/1917
Ando perdida nestes sonhos verdes
De ter nascido e não saber quem sou,
Ando ceguinha a tatear paredes
E nem ao menos sei quem me cegou!
Não vejo nada, tudo é morto e vago…
E a minha alma cega, ao abandono
Faz-me lembrar o nenúfar dum lago
´Stendendo as asas brancas cor do sonho…
Ter dentro d´alma na luz de todo o mundo
E não ver nada nesse mar sem fundo,
Poetas meus irmãos, que triste sorte!…
E chamam-nos a nós Iluminados!
Pobres cegos sem culpas, sem pecados,
A sofrer pelos outros té à morte!
A solidão amiga-Rubem Alves.(clique aqui)
A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão...
Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida.
Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis“. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a Sua Solidão?“ Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.
Texto completo em:
http://www.rubemalves.com.br/asolidaoamiga.htm
01 agosto 2009
Bom dia com Fernando Pessoa...
"Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é necessário ser um."
31 julho 2009
Quando a vida nos surpreende...
(Albert Camus)
29 julho 2009
Cecília Meireles torna doce minha manhã...
Serenata
Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo
28 julho 2009
Sobre a lua, com lirismo...

(Florbela Espanca)
Tanta pena, coitadinha,
Quando tão branca, na rua
A vejo chorar sozinha!...
As rosas nas alamedas,
E os lilases cor da neve
Confidenciam de leve
E lembram arfar de sedas
Só a triste, coitadinha...
Tão triste na minha rua
Lá anda a chorar sozinha ...
Eu chego então à janela:
E fico a olhar para a lua...
E fico a chorar com ela! ...
27 julho 2009
AQUARELA
Toquinho
Composição: Toquinho / Vinicius de Moraes / G.Morra / M.Fabrizio
Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo...
Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva...
Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho
Azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota
A voar no céu...
Vai voando
Contornando a imensa
Curva Norte e Sul
Vou com ela
Viajando Havaí
Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela
Branco navegando
É tanto céu e mar
Num beijo azul...
Entre as nuvens
Vem surgindo um lindo
Avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar...
Basta imaginar e ele está
Partindo, sereno e lindo
Se a gente quiser
Ele vai pousar...
Numa folha qualquer
Eu desenho um navio
De partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida...
De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo...
Um menino caminha
E caminhando chega no muro
E ali logo em frente
A esperar pela gente
O futuro está...
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...
Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
(Que descolorirá!)
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo
(Que descolorirá!)
Giro um simples compasso
Num círculo eu faço
O mundo(Que descolorirá!)...
O amor é grande.
O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.
Carlos Drummond de Andrade
26 julho 2009
Rubem Alves...A beleza da música.
Rubem Alves
24 julho 2009
Manoel Bandeira para sua manhã
23 julho 2009
Elisa Lucinda e Rubem Alves - A Poesia do Encontro(clique aqui)
Quando te vi amei-te já muito antes.
Fernando Pessoa
Quando te vi amei-te já muito antes.
Tornei a achar-te quando te encontrei.
Nasci pra ti antes de haver o mundo.
Não há cousa feliz ou hora alegre
Que eu tenha tido pela vida fora,
Que o não fôsse porque te previa,
Porque dormias nela tu futuro.
............................................................
E eu soube-o só depois, quando te vi,
E tive para mim melhor sentido,
E o meu passado foi como uma 'strada
Iluminada pela frente, quando
O carro com lanternas vira a curva
Do caminho e já a noite é tôda humana.
...............................................................
Quando eu era pequena, sinto que eu
Amava-te já longe, mas de longe
... ...............................................................
Amor, diz qualquer cousa que eu te sinta!
-Compreendo-te tanto que não sinto,
Oh coração exterior ao meu!
Fatalidade, filha do destino
E das leis que há no fundo dêste mundo!
Que és tu a mim que eu compreenda ao ponto
De o sentir...? ...............................................................
Cessa o teu canto.
Fernando Pessoa
Cessa o teu canto.
Cessa, porque enquanto o ouço,
ouve a uma outra voz
como que vindo nos interstícios
do brando encanto com que o teu canto
vinha até nós.
Ouvi-te e ouvi-a
No mesmo tempo
E diferentes
Juntas a cantar.
E a melodia
Que não havia
Se agora a lembro,
Faz-me chorar.
Irene
Manuel Bandeira
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor
Imagino Irene entrando no céu:
- Com licença, meu branco.
E São Pedro, bonachão:
- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.
Rei do mar
Cecília Meirelles
Muitas Velas. Muitos Remos.
Âncora é outro falar...
Tempo que navegaremos
não se pode calcular.
Vimos as Plêiades. Vemos
agora a Estrela Polar.
Muitas velas. Muitos remos.
Curta Vida. Longo Mar.
Por água brava ou serena
deixamos nosso cantar,
vendo a voz como é pequena
sobre o comprimento do ar.
Se alguém ouvir, temos pena:
só cantamos para o mar...
Nem tormenta nem tormento
nos poderia parar.
(Muitas velas. Muitos remos.
Âncora é outro falar...)
Andamos entre água e vento
procurando o Rei do Mar.
Cecília Meirelles
22 julho 2009
Belo dia com Mário Quintana...
Se tu me amas,
ama-me baixinho.
Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
.....tem de ser bem devagarinho,
.....amada,.....que a vida é breve,
.....e o amor.....mais breve ainda.
Mario Quintana
21 julho 2009
Professores ficam milionários na Coreia do Sul(clique aqui)
Os mestres chegam a ganhar até 4 milhões de dólares por ano.
Conheça esses astros no vídeo abaixo:
http://educacao.ig.com.br/noticia/2009/07/16/professores+ficam+milionarios+na+coreia+do+sul+7331975.html
Quintana, eterno Quintana...
Sentir primeiro, pensar depois
Perdoar primeiro, julgar depois
Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois
Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois
Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois
Navegar primeiro, aportar depois
Viver primeiro, morrer depois
(Mário Quintana)
Dois pensamentos de Cecilia Meireles
20 julho 2009
Fernando Pessoa neste dia do amigo.
Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
Fernando Pessoa
No Dia Internacional do Amigo...

E neste dia dedicado a esse ser especial e imprescindível na vida de cada um de nós, poderia oferecer a cada um de meus amigos tão queridos, uma flor, mas ao invés disso, ofereço um delicioso berry, colhido no pé, aqui no quintal da casa.
Dulce
19 julho 2009
Soneto de aniversário
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
Vinicius de Moraes
18 julho 2009
PARABENS, HELI !...
As sem-razões do amor
As sem-razões do amor
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
17 julho 2009
15 julho 2009
BELO TEXTO DE MUITA POESIA (clique aqui)
Começar o dia com poesia?
PRESENÇA
É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu te sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te!
14 julho 2009
...infinito enquanto dure...
Vinícius de Moraes
De tudo, ao meu amor serei atento.
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa dizer do amor ( que tive )
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Há um tempo ...Fernando Pessoa
13 julho 2009
O que me dói...Fernando Pessoa...
O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caissem suas folhas
Entre o vestigio e a bruma.
Fernando Pessoa
12 julho 2009
Da influência dos espelhos
Nós, as crianças de então, achávamos uma bruta graça, por saber que era tudo ilusão, embora talvez nem conhecêssemos o sentido da palavra "ilusão".
Não, nós bem sabíamos que não éramos aquilo!
Depois, ao crescer, descobrimos que, para os outros, não éramos precisamente isto que somos, mas aquilo que os outros vêem.
Cuidado, incauto leitor! Há casos, na vida, em que alguns acabam adaptando-se a essas imagens enganosas, despersonalizando-se num segundo "eu".
Que pode uma alma, ainda por cima invisível, contra o testemunho de milhares de espelhos?
Eis aqui um grave assunto para um conto, uma novela, um romance, ou uma tese de mestrado em Psicologia.
10 julho 2009
CHEGANDO JUNTO COM A BOA MÚSICA E LINDAS INTERPRETAÇÕES
A música de Joaquim Rodrigo Vidre - letra de Alfredo Garcia Segura, é um clássico da bela música que encanta o mundo. SAIBA MAIS SOBRE O CONCIERTO DE ARANJUEZ em http://recantodasletras.uol.com.br/audios/cancoes/21252
Um trecho da letra:
... hoje as folhas secas, sem cor... quais são varridas pelo vento... são lembranças do romance que você e eu, juntos, começamos... e que temos esquecido sem motivo... talvez que o amor esteja escondido em um pôr-do-sol, ou na flor...
A magia da poesia de Mário Quintana.
Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...
Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...
Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...
Mario Quintana
Jardim (clique aqui para ver o texto completo)
Um amigo me disse que o poeta Mallarmé tinha o sonho de escrever um poema de uma palavra só. Ele buscava uma única palavra que contivesse o mundo. T.S. Eliot no seu poema O Rochedo tem um verso que diz que temos "conhecimento de palavras e ignorância da Palavra". A poesia é uma busca da Palavra essencial, a mais profunda, aquela da qual nasce o universo. Eu acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma última palavra, uma única palavra, Jardim seria a palavra que eu diria."
09 julho 2009
NOTA EXPLICATIVA
Peço desculpas aos nossos leitores pelo ocorrido e ao Ney pelo fato de eu ter excluído uma de suas belas postagens.
Mario Quintana
NadaConvém que se repita...
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.
Mario Quintana
08 julho 2009
VIVA COMO AS FLORES
Pois viva como as flores, advertiu o mestre.
Como é viver como as flores? - Perguntou o discípulo.
Repare nestas flores, continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim. Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas.
Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.
É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem.
Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo o mal que vem de fora.
Isso é viver como as flores. "
Autor Desconhecido
07 julho 2009
Flores para minha amiga Heli

O lado masculino do blog que me perdoe, mas a festa hoje é toda para a nossa querida Heli.
NÃO DEIXE O AMOR PASSAR
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.
Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.
Carlos Drummond de Andrade
06 julho 2009
05 julho 2009
DOMINGO
BOM DIA! BOM DOMINGO!

(foto ney)
.
Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças
(Carlos Drummond de Andrade)
04 julho 2009
Quando o sábado começa com poesias... MARIO QUINTANA

Se eu fosse um padre...Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
- muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma ...
a um belo poema - ainda que de Deus se apar
03 julho 2009
Os Poetas do Meu Coração... Thiago de Mello
O animal da floresta
De madeira lilás (ninguém me crê)
se fez meu coração. Espécie escassa
de cedro, pela cor e porque abriga
em seu âmago a morte que o ameaça.
Madeira dói?, pergunta quem me vê
os braços verdes, os olhos cheios de asas.
Por mim responde a luz do amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas densas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.
No crepúsculo estou da ribanceira
entre as estrelas e o chão que me abençoa
as nervuras.
Já não faz mal que doa
meu bravo coração de água e madeira.
01 julho 2009
A POESIA
" Castro Alves do Brasil, hoje que o teu livro puro torna a nascer para a terra livre, deixam-me a mim, poeta da nossa América, coroar a tua cabeça com os louros do povo. Tua voz uniu-se à eterna e alta voz dos homens. Cantaste bem. Cantaste como se deve cantar." Pablo Neruda.
.
E só me cabe dizer: VIVA A POESIA E A LIBERDADE!
ney.
Lembranças... Doces lembranças...

Da sacada da casa de meu filho, em Campinas, aonde passo uns dias, perco meus olhos entre esse céu lindo e o verde das árvores e dos jardins do condomínio, buscando exatamente a paz do azul do céu para minha alma... E ela, feliz, agradece e se aquieta.
E como o pensamento viaja no tempo e no espaço, por um motivo qualquer, surge em minha memória a Campinas de antigamente, bucólica, tranquila, tão diferente desta cidade agitada em que está se transformando. E nesse caminhar pelo tempo volto aos meus tempos de menina quando, nas férias escolares costumávamos vir passar uns dias na fazendola de meus avós maternos. Era uma aventura, uma festa, que começava com a viagem de trem que nos trazia de São Paulo até aqui. Viagens que eu adorava, que não trocava por nada no mundo.
O trem saia da Estação da Luz, o que para mim já era uma festa, todo aquele movimento, a expectativa da viagem, os trens chegando e partindo... Se o trem fosse expresso, ou seja, a "litorina", só pararia na cidade de Jundiai, mais ou menos no meio do caminho, antes de chegar ao seu destino, Campinas. Se não, ia parando em várias cidades, onde a plataforma de cada estação era para mim uma alegria, com seus vendedores de doces e salgados, geralmente feitos pelas mulheres de cada região, verdadeiras delícias que meu pai sempre comprava para aplacar a euforia das meninas (minha irmã mais velha e su) que, empolgadas, não tinham sossego e, enquanto se deliciavam com os quitutes ficavam quietas... Eram cocadas, balas, pés -de-moleque, paçocas, amendoim, pastéis, tanta coisa boa que dificil mesmo era escolher.
E a viagem transcorria em alegria e na expectativa da chegada porque lá nos esperava sempre meu avô, que nos conduziria até a fazendola. E essa era a melhor parte da viagem, pelo menos para mim, porque meu avô vinha nos esperar e nos levaria para sua casa num "cabriolet" lindinho, puxado por um cavalo que tinha todo o meu amor (sempre fui apaixonada por cavalos, acho-os lindos, magestosos), o Pachola!...
E enquanto meus pais e meu avô iam conversando, contando coisas, minha irmã prendia-se a beleza da paisagem, eu só tinha olhos para o Pachola, dócil, altivo, crina ao vento, vencendo distâncias, levando-nos aos dias de liberdade e despreocupação tão próprias da infância, que nos esperavam na casa de meus avós.
E lembrando de tudo isso, uma imensa saudade dos meus amores que já não estão comigo, apossou-se de meu coração. As figuras de meu pai e de meu avô, senhores de si e, aparentemente, de seus destinos, de minha mãe e de minha avó, mulheres que cumpriam a risca os papéis que lhes eram impostos pela sociedade e pelos costumes da época, de minha irmã, tão linda, com um sorriso que vinha da alma e se espalhava por seus olhos, e que tão cedo partiu...
Tão doces lembranças... Tão doces saudades...
Dulce Costa
Na ensolarada manhã do primeiro dia de julho do ano de dois mil e nove

















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