12 julho 2009

Da influência dos espelhos

(Mário Quintana)

Tu lembras daqueles grandes espelhos côncavos ou convexos que em certos estabelecimentos os proprietários colocavam à entrada para atrair os fregueses, achatando-os, alongando-os, deformando-os nas mais estranhas configurações?
Nós, as crianças de então, achávamos uma bruta graça, por saber que era tudo ilusão, embora talvez nem conhecêssemos o sentido da palavra "ilusão".
Não, nós bem sabíamos que não éramos aquilo!
Depois, ao crescer, descobrimos que, para os outros, não éramos precisamente isto que somos, mas aquilo que os outros vêem.
Cuidado, incauto leitor! Há casos, na vida, em que alguns acabam adaptando-se a essas imagens enganosas, despersonalizando-se num segundo "eu".
Que pode uma alma, ainda por cima invisível, contra o testemunho de milhares de espelhos?
Eis aqui um grave assunto para um conto, uma novela, um romance, ou uma tese de mestrado em Psicologia.

2 comentários:

heli disse...

Pois é Dulce.

"Há casos, na vida, em que alguns acabam adaptando-se a essas imagens enganosas, despersonalizando-se num segundo "eu"."
Isso é uma terrível verdade!
Mas,é no espelho que vemos o nosso ser mais autêntico, e se estamos vendo a imagem distorcida é bom dar uma arrumada "no espelho"(rs)
bjs

Dulce disse...

Heli

É verdade sim, minha amiga.
Mas é verdade também que muita gente não quer "arrumar o espelho" com medo da imagem que verá então refletida nele, porque nem sempre é fácil encarar a realidade...
bjs