12 janeiro 2010

RECORDO AINDA



Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...


Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...


Mario Quintana
Imagem(google imagens)

9 comentários:

ney disse...

Belo texto, os bons tempos de criança que não voltam mais. E apesar do envelhecimento, permanecemos sempre um pouco meninos. ney/

heli disse...

É verdade, Ney.
A criança que há em nós, está sempre presente, mesmo quando "envelhecemos".
Saudade dos tempos de criança!!!
beijos

Dulce disse...

Heli
Sabe, minha amiga, tenho para mim que ninguém deveria deixar morrer a criança que traz em si, pois sem ela a vida perde a graça, a beleza, a esperança no porvir... É esta criança que carregamos dentro de nós que nos faz melhores, mais ternos, mais confiáveis na vida...
Maravilhoso Quintana...
Beijos e uma linda tarde para você.

Carlos Albuquerque disse...

Heli
Quando, a cada dia, me encontro com o despertar, abro o olho, a ver se é verdade. Se é, chamo o menino e digo-lhe, vamos brincar. Assim fazemos, eu a não deixar que ele cresça, ele, de brinquedo na mão, a entreter a velhice que vai chegando.
Então, como Mário Quintana, ficamos os dois um menino.
BJS

heli disse...

Dulce.
Adorei seu comentário e também penso como você, a respeito da criança que deve sempre estar viva dentro de nós.
A criança acredita que tudo é possível.
É feliz com muito pouco...
Ser criança é fazer amigos antes mesmo de saber o nome deles...
Ser criança é ser feliz!!!
beijos

heli disse...

Carlos.
Adorável essa idéia de brincar com seu menino interior.
Acho que isso é que o torna tão especial naquilo que pensas e escreves.
É muito agradável receber seus comentários aqui no chega junto.
beijos

Fernanda disse...

Amiga Heli,

Que Lindo!

Sentimos todos o mesmo quando chegamos aos "enta", a vida passa num ápice.

Ainda me lembro da minha primeira boneca linda que recebi, dos abraços do meu falecido pai,de quando ele nos sentava à sua volta e tocava para nós ou nos contava histórias...tudo isso foi há tão pouco tempo...

Beijinhos
Olá amiga Sónia,

Também acho que sim!
É sempre mais fácil dizer que sim, sim a tudo e a todos.

Beijinhos

Rosângela Monnerat disse...

Então,
dizer de uma criança, sim, ainda é fácil, e é gostoso.
Aquela, que não tinha mau tempo de ser feliz. Tinha manias iguais a de outras, brincava com outras,e nem sabia o que era fantasia de verdade.
Na realidade nem sabia o que era verdade ou mentira, mentia porque era bom, era como brincar de esconder-se.
E depois, quando cresce, a criança se reconhece melhor do que antes, melhor do que nunca. Vira brinquedo bom, de coração com saudade. E não faz mal nenhum, como nunca fez.

Adorei o poema e tudo!
Parabéns pela página. A todos!
Abraços,
Rosângela

heli disse...

Rosangela.

Gostei muito do seu comentário.
Esse poema nos faz caminhar no tempo.Tempo de ser criança.
Forte abraço.