28 março 2009

Permito-me falar de sonhos...

Acordo com a chuva batendo na janela, o que deixa em mim uma agradável sensação de aconchego... Continuo de olhos fechados, tentando coordenar meus pensamentos ainda envoltos pela névoa do sono. Sonhava? Sem dúvida! E era lindo! Mas era só mais um sonho, que se esvaiu quando o barulhinho da chuva veio me despertar, que se perdeu na realidade do dia a dia, como tantos e tantos outros que já me acalentaram a alma e me ajudaram a suportar o vazio e a solidão que se instalaram em minha vida ao longo dos últimos anos.
Vou, novamente, falar sobre sonhos, devaneios, quimeras? Não! Não hoje! Ou pelo menos não era essa minha intenção primeira quando comecei a escrever, mas as palavras tomam conta de mim e movem por si só meus dedos pelo teclado e, quando me dou conta, já lá está o fruto de uma "verborragia" quase inconsciente!
Já houve dias em que meu coração vivia de sonhos, e olhe que não faz muito tempo... A vida tornara-se dura, até cruel e eu me refugiava nesses devaneios para poder não enlouquecer. Mas a alma humana, ainda que inconformada, tem uma enorme capacidade de adaptação, uma enorme resistência e, pouco a pouco, fui aprendendo a viver cada momento com força e resignação, sem nunca deixar de sonhar, é verdade, já que sou por natureza uma sonhadora inveterada, compulsiva, consciente, porém, do real significado do meu estado de alma, do meu momento. Fui aprendendo com a própria vida que sonhar é preciso, faz bem a alma, mas que a realidade deve ser enfrentada com firmeza, ainda que doa muito... E tenho feito isso galhardamente.
Claro que trago em mim cicatrizes, pois essa luta tem sido intensa. E essas cicatrizes mostram-se em mim e podem ser vistas em cada ruga que meu rosto ganhou, na tristeza que se espelha hoje em meu olhar, na quase indiferença em que, vez por outra eu me sinto envolvida e até em meus cabelos brancos artisticamente ocultos por habilidosas mãos, em um salão de beleza... E tudo isso não é senão o reflexo, a exteriorização do que carrego lá no fundo de meu ser, da minha alma, do meu pobre e solitário coração...
Tomo emprestados os versos de Thiago de Mello, um dos poetas de meu coração, que tão bem me cabem:

"Vivo a vida do meu sonho,
meu sonho, de sonho vive."

Dulce Costa

4 comentários:

ney disse...

Belo texto! ney///

heli disse...

Dulce.

Suas palavras encantam, mesmo quando fala de sentimentos mais dolorosos.
Saiba que está sendo muito bom, poder contar com sua presença aqui neste blog e suas palavras servem sempre como um incentivo de luta, de coragem e de determinação.

Obrigada, de coração pelas palavras desse seu belo texto.
bjs.
heli

Dulce disse...

Ney,
Obrigada...

Dulce disse...

Heli,
Muito obrigada. Saiba que estar aqui, neste blog que sempre admirei, está sendo muito gratificante para mim. Um prazer, na verdade. E sou eu quem agradece a você, ao Jardeco e ao Ney, por me permitirem fazer parte deste time tão especial.
Bjs.

12:24 PM