09 outubro 2009

PORTA ENTREABERTA II - O lado de fora



Clique sobre a imagem para ampliá-la (foto ney) - Jardim Botânico - Rio de Janeiro. Então eu disse, do lado de dentro daquela sacada (postagem anterior):

Suave luz, brisa, perfume, música
Olhar, brilho, acolhimento, sentimento, envolvimento
Momento cálido, eterno, pleno
Eu e você.
......................................
Mas lá fora é longo o caminhar, cheio de escolhas, decisões, atitudes, indagações, um universo maior de amor e convivência do EU E VOCÊ, mas não se quer dizer que seja maior que o amor, ou que ele não saiba esperar, embora possa acabar:

Sol, chuva, frio, calor, rotina, correria
Distâncias, circunstâncias, ruídos, dispersões, desassossegos
Muros, pontes, alegrias, tristezas, momentos reais do EU E VOCÊ.
Sentar, conversar, esperar, entender, buscar, refazer
Portas se abrem e se fecham para o EU E VOCÊ. (ney).

Rubem Alves


"Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos
fragmentos de futuro em que a alegria é servida como
sacramento, para que as crianças aprendam que o
mundo pode ser diferente.
Que a escola, ela mesma, seja um fragmento do futuro..."
Rubem Alves

Quando vier a Primavera.Fernando Pessoa

Quando vier a Primavera, (7-11-1915)

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro

08 outubro 2009

PRIMAVERA CINZENTA, CHUVOSA E FRIA...

Mas que estranha primavera assim sem cor. Mas lembrei de uma bela música e um lindo balé, de muita harmonia e serenidade, com movimentos tão suaves que duvido mesmo que um CISNE seja capaz de fazer como a excelente bailarina. Trata-se de THE SWAN - Carnival of the animals, de Camille Saint-Sans. Não entendo do assunto, mas acho que vale conferir, percebe-se algo mais nos movimentos da bailarina, acho mesmo que a perfeição. Em alguns horários pode acontecer do vídeo abrir mais lento, mas normalmente abre rápido. O balé e um ensaio:

http://www.youtube.com/watch?v=i6829uWfH-g

http://www.youtube.com/watch?v=DK02YhsgxQY&feature=fvw

Mais informações desse balé em
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://en.wikipedia.org/wiki/The_Carnival_of_the_Animals&ei=tJDOStPVLsHO8QbQ18H9Aw&sa=X&oi=translate&resnum=3&ct=result&prev=/search%3Fq%3DThe%2Bswan%2B-%2Bcarnival%2Bof%2Bthe%2Banimals%2B-%2BSans%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG - Neste endereço, depois de "referências musicais", clique no link em lilás "the dying swan".

Na Terra Como No Céu – Geraldo Vandré

Olá! Bom dia a todos. Hoje vai uma pérola de um artista que admiro muito e marcou demais minha juventude. Geraldo Vandré. Esse nome nos remete as canções “Disparada”, “Caminhando” e “Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores”, mas para mim, a melhor canção dele é essa abaixo, pena que pouco conhecida. Uma canção, um poema…

1968-vandre-4.1209657364 Não viemos por teu pranto
nem viemos pra chorar
viemos ao teu encontro
e estamos no teu altar
por seguir nosso caminho
que é também seu caminhar
na força do teu carinho
esperamos nos salvar
na terra como no céu
no sertão como no mar
nas serras ou nas planuras
esperamos nos salvar
estando sempre altura
nos teus caminhos lutar
reparte entre nós
diante do seu altar
a justiça e a riqueza
que fizemos por ganhar
não deixa a gente passar
pela fome em tua mesa
não viemos por teu pranto
nem viemos pra chorar

07 outubro 2009

Eu amo tudo o que foi

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa, 1931.

PORTA ENTREABERTA



Suave luz, brisa, perfume, música
Olhar, brilhar, acolher, sentir, envolver
Momento cálido, eterno, pleno, inesquecível
Eu e você.

foto e texto (ney).

Ah! Lembrei da música do Ivan Lins, que diz melhor, e vou acrescentar:
http://www.youtube.com/watch?v=y_aGk4JtR9o

O CHEGAR JUNTO CONTINUA...




Clique na imagem para ampliá-la (foto ney).
Aqui pensando, com base nos comentários nas postagens anteriores, dos novos poetas nos surpreendendo com seus belos e profundos textos, num mundo que temos julgado sempre em correrias...
e nas fotos fico também feliz quando consigo registrar pessoas de todas as idades passando e admirando as ondas batendo nas pedras, assustadas ou rindo, sentadas nos bancos, nas pedras, na areia, ou surfando as ondas, porque dão vida e movimento, interagindo com a natureza...
o nascer e o por do sol com cada vez mais adeptos, até mesmo APLAUSOS, os movimentos se tornam belas coreografias, e percebemos que somos os mesmos, humanos e sensíveis, querendo superar momentos difíceis e encontrar novos e promissores caminhos. (ney).

06 outubro 2009

O PINTOR (João Felinto Neto)

Não há tinta em minhas mãos,
não há telas.
Não passa de invenção,
a embarcação
e as velas.

Não há mar e nem gaivotas,
nem mesmo uma pequena ilha.
Não há pessoas nas portas.
Não há vila.

Porém na imaginação,
de um borrão faço uma ilha.
Ponho água, céu e chão.
Crio a mais bela vila.

Ponho pessoas nas portas,
outras correndo pro mar.
Ponho um barco, rumo a terra,
velas e o vento a soprar.

Ponho alguém a escutar,
o barulho das gaivotas,
a onda que vai e volta,
e o canto de Iemanjá.

Ponho um sol já a se pôr
no entardecer do dia.
Ponho cor e harmonia,
como poria o pintor
em seu quadro de valor,
a mais bela poesia.

Poema Enjoadinho - Vinícus de Moraes


Primeira participação...

Sempre achei esse poema do Vinícius muito bonito. Não é piegas, comum a outros textos do mesmo tema, mas realista, bem construido e engraçado. Dedicado à Heli, que apesar de ter passado por esse "gênero" há tempos, acredito que nesse momento ela tenha voltado a se envolver no "clima" do Poema Enjoadinho.

Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

RUA - MEDO (João Felinto Neto)

RUA (João Felinto Neto)

Bela calçada, dama passada, diurnamente movimentada. Na madrugada, sem companhia, apenas o cão que ladra. Onde se mora, onde se pisa, no tempo és encantada. Um que se vai, outro que chega, saudade recompensada. Quando se morre, fica de luto. Quando se nasce, se comemora. Às vezes triste, desanimada, outras alegre e festejada. Quando se parte, nunca se esquece, daquela rua em que se cresce.
*************************
MEDO (João Felinto Neto)

A escuridão que tanto temia na minha inocência, por medo de monstros que me perseguiam numa fantasia, já não mais a temo. A maturidade nos mostra a realidade, triste realidade, de que na claridade somos presas fáceis de nós mesmos. Criança, não tenha pressa de crescer. Agora, o seu futuro ainda é escuro, mas será tão claro, que sentirá saudade do que foi outrora, inocente.
************************
Encontrei a poesia de João Felinto Neto pesquisando um tema no google, e lendo todos os textos que encontrei na biblioteca virtual de escritores e komedi http://www.komedi.com.br/escrita/leitura.asp?Texto_ID=2555 fiquei realmente impressionado com tudo. Muita alma, vida, sonho, realidade, sensibilidade, encantamento, mergulho no tempo, em nós mesmos. Viajei e me identifiquei em cada um deles. DEMAIS!

05 outubro 2009

SID... BEM-VINDO!

Vamos chegando junto. Bom retorno!
Abraço/ney.

VOU-ME EMBORA PRO PASSADO (clique aqui)

Boas vindas ao Sid!!

Quero dar as boas vindas ao Sid.
Como apresentar o Sidão?
Ele é um grande amigo, que já participou conosco de outros blogs e de Grupos de discussão do Yahoo.

Sidão.
Faço uso das palavras que você usou para me receber em seu blog O Gato Subiu no Telhado e que me deixaram muito à vontade...

"Muito bom ter você junto novamente. Fique a vontade, faça comentários, arrume cizânias, publique fotos, desabafe"...

E tem mais: pode trazer todos os seus gatos para cá...

Você é sempre bem vindo!!
Grande e carinhoso abraço.

POESIA COMENTADA

O ÁTOMO (Murilo Mendes)

Agasalha-me à sombra do teu corpo.
Aninha-me entre teus seios,
Aquece-me no calor do teu ventre:
Coisa ínfima, quero ficar perto de ti
como um pássaro que fugiu da tempestade.
Eu sou uma moeda que Deus deixou rolar no chão.

Neste poema, os verbos agasalhar, aninhar, aquecer, ficar (perto), fugir (da tempestade), revelam o desejo de fusão. Corpo, ventre e seios são imagens que se agregam aos verbos referidos, para expressar o desejo de superar a vivência da separação. O poema mescla misticismo e sensualismo, sugerindo a fusão a outro corpo, na forma que o ÁTOMO se agrega, constituindo a matéria (Ana Maria Lisboa de Mello em POESIA E IMAGINÁRIO).

04 outubro 2009

MURILO MENDES - O FILHO DO SÉCULO













.
Clique sobre a imagem para ampliá-la (foto ney)
.
Nunca mais andarei de bicicleta
Nem conversarei no portão
Com meninas de cabelos cacheados
Adeus valsa "Danúbio Azul"
Adeus tardes preguiçosas
Adeus cheiros do mundo sambas
Adeus puro amor
Atirei ao fogo a medalhinha da Virgem
Não tenho forças para gritar um grande grito
Cairei no chão do século vinte
Aguardem-me lá fora
As multidões famintas justiceiras
Sujeitos com gases venenosos
É a hora das barricadas
É a hora da fuzilamento, da raiva maior
Os vivos pedem vingança
Os mortos minerais vegetais pedem vingança
É a hora do protesto geral
É a hora dos vôos destruidores
É a hora das barricadas, dos fuzilamentos
Fomes desejos ânsias sonhos perdidos,
Misérias de todos os países uni-vos
Fogem a galope os anjos-aviões
Carregando o cálice da esperança
Tempo espaço firmes porque me abandonastes.

Murilo Monteiro Mendes fez seus primeiros estudos em Juiz de Fora e depois, no Colégio Salesiano de Niterói. Escritor fértil, obra abundante, foi professor nas universidades de Roma e Pisa, residiu na Bélgica e na Holanda... veja em http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u611.jhtm

O Amor

Para dar início a uma nova semana!

O amor
O amor, quando se revela, não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela, mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente. Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse, se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse pr'a saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...


Fernando Pessoa

03 outubro 2009

ANIVERSÁRIO DA NETA




Aniversário da neta mais nova (9 anos), amanhã, festinha foi hoje no PLAY.

DULCE

Sua ausência será muito sentida, você deu novo ânimo ao CHEGA JUNTO, melhorou as configurações, trouxe inúmeros seguidores. Estou aqui desde o início, quando era ainda BUTECO, voltado mais para questões políticas, fui vendo cada um sair, uns voltaram, outros não, cheguei a ficar só, mas CHEGANDO JUNTO. Criei meu próprio blog para poder ficar mais voltado para as fotos, mas também virou uma miscelânea de assuntos, vou deixando fluir ao sabor dos acontecimentos, momentos, ventos, inspirações, circunstâncias, cotidianos. Essa doce liberdade de nos deixar sonhar, trocar, nos entendermos no que melhor existe em nós, longe dos preconceitos, das falsas ideologias, das tiranias. A humanidade nos assusta com muitas guerras, cisões, desentendimentos, fundamentalismos, exclusões, mas somente poderá crescer no livre debate de idéias, no respeito ao próximo e na liberdade. De um jeito ou de outro vai perseguindo esse caminho, e isso nos leva a acreditar sempre. E lá vou eu me perdendo em muitos assuntos, para variar (rs), mas acho que a internet nos tem ajudado nesse caminho, já que podemos interagir e não ficar por conta de pacotes prontos, mídias dominantes, verdades absolutas, que não nos permitem ser eternos aprendizes, tirando nossas próprias conclusões.
Às vezes penso em dar uma parada, reorganizar caminhos, racionalizar, mas acabo deixando a roda viva me levar.
Agradecemos esse ENORME carinho e atenção com o CHEGA JUNTO, você faz parte dele, não vamos considerar uma saída, apenas uma viagem, uma ausência temporária. (ney).

RESSACA II



Clique sobre as imagens para ampliá-las (fotos ney). E a ressaca que chegou com a frente fria, continuou pelo dia de ontem...


"Nessa pedra alguém sentou para ver o mar
Mas o mar, não parou para ser olhado
E foi mar, pra todo lado. (Paulo Leminski)