20 maio 2009

Sonhos...

A alma é uma coleção de belos quadros adormecidos, os seus rostos envolvidos pela sombra.
Sua beleza é triste e nostálgica porque, sendo moradores da alma, sonhos, eles não existem do lado de fora.
Vez por outra, entretanto, defrontamo-nos com um rosto (ou será apenas uma voz, ou uma maneira de olhar, ou um jeito da mão...) que, sem razões, faz a bela cena acordar. E somos possuídos pela certeza de que este rosto que os olhos contemplam é o mesmo que, no quadro, está escondido pela sombra. O corpo estremece. Está apaixonado.Acontece, entretanto, que não existe coisa alguma que seja do tamanho do nosso amor.
A nossa fome de beleza é grande demais.

(...)
Cedo ou tarde descobrirá que o rosto não é aquele. E a bela cena retornará à sua condição de sonho impossível da alma. E só restará a ela alimentar-se da nostalgia que rosto algum poderá satisfazer...

Rubem Alves

5 comentários:

Dulce disse...

Pois é, Heli

e descobrir que o rosto não era aquele é frustração pura... Mas os sonhos continuam, renascem a cada dia, para conforto de nossa alma... E novos rostos vão surgindo mansamente pelos caminhos da vida.

Beijos.

heli disse...

É verdade Dulce.
Sempre surgem novos rostos nos caminhos da vida.
Espera-se porém que eles não estejam revestidos com algumas máscaras...

Dulce disse...

Ah, Heli

Mascaras escondendo pessoas, sempre vão existir... e muitas. Por isso o medo de recomeçar.

ney disse...

Heli,
Belo texto. Mas temos que ter esses sonhos e passear em seus jardins... veja esse outro texto dele:

Sonho de amor (Rubem Alves)

"Todo jardim começa com um sonho de amor, antes que cada árvore seja plantada, antes que cada lago seja construído, eles têm que
existir dentro da alma.
Quem não tem jardim por dentro, não cria jardim por fora, e nem passeia por ele."

heli disse...

Ney.
Lindo texto esse sobre os jardins.
Cecilia Meireles também fala em jardins de uma forma maravilhosa!

“No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.”

Texto de Rubem Alves em:
http://feminina.wordpress.com/jardim/