29 maio 2009

ERA UMA VEZ... Você acredita em contos de fadas?


Era uma vez...

Em tempo de contos de fada, começaria este texto com: “Era uma vez”... e ficaria assim:
Era uma vez, uma jovem desengonçada que vivia num casarão encantado e que tinha dentro de si um amor, tão desengonçado quanto ela, porque escondido, secreto, platônico e sem esperanças. Era uma vez um pequeno príncipe encantado que nem se dava conta de um coraçãozinho que saltava à sua simples presença, porque o seu próprio tinha lá outros motivos para saltar. Era uma vez lágrimas, sorrisos, ternura, tudo reprimido no pequeno coração da menina...
E, como nos contos de “Era uma vez”, o tempo também passou, carregando com ele toda a poeira que sempre paira sobre o tempo nos contos de fada. e a menina cresceu, o príncipe também e ambos foram viver suas vidas. Mas no coraçãozinho da menina o príncipe permaneceu encantado.
E décadas se passaram, vidas transcorreram, famílias se formaram, amores surgiram e se foram, e o príncipe continuou encantado.
E como a menina tivesse uma fada madrinha, esta um dia resolveu dar-lhe um presente, uma presença,. e assim, do nada, a um toque de sua varinha de condão, transportou o príncipe de outras plagas para o canto aonde a menina escondia suas saudades, sua juventude, num sereno caminhar pelo outono de sua vida.
E o príncipe não era mais príncipe. Trazia no rosto as marcas do tempo, no olhar antes atrevido, uma dor escondida pelas perdas que a vida lhe impusera. Era agora um monarca que regia seu reino com sabedoria e paz. A paz que ela sentiu ao olhar dentro daqueles olhos tristes. A paz que ela sentiu ao toque de sua mão, no abraço amigo e terno que recebeu...
Era uma vez... uma doce e sábia fada madrinha que venceu o tempo e colocou num coração que permanecia menino a ternura de uma noite de serena convivência e terno partilhar de momentos de lembranças, de afeto, de doce amizade, numa esquina qualquer dos caminhos que a vida percorre..

Era uma vez... Era uma vez...

Dulce Costa / maio de dois mil e nove

2 comentários:

heli disse...

Doces lembranças, Dulce.
Algo que foi bom, jamais deve ser apagado de nossa memória.
Quem de nós não teve seu príncipe encantado?
Mesmo que depois de um tempo eles virem sapos...(rs)
Beijos

Dulce disse...

Heli,

É bem verdade que muitos dos principes acabam, mais cedo ou mais tarde, virando sapos, mas não este... rs... Continua esbanjando majestade, com simplicidade e muito charme... rs
Quem sabe, um dia, mas não ainda...
beijos