31 dezembro 2006

ANO NOVO

Acabei não indo mesmo na praia ver os fogos, coisa que sempre fiz questão de fazer. Que falta de tesão! Serei eu, o país, as circunstâncias? Sei lá! Vai ver estou ficando mesmo velho. Mas também não estou triste e continuo acreditando.

Está quase na hora: FELIZ 2007 !!!

ANO NOVO

FELIZ ANO NOVO ??@&*%$@#?!! hehe

Previsões políticas infalíveis para o Ano-Novo

Está no Blog do Josias...quem desejar conferir....


A folhinha encontra-se em pleno trabalho de parto. Logo, logo dará à luz 2007, um ano novinho em folha. É hora de antever o futuro. Coisa muito fácil de fazer. Desconsiderado o inesperado, que, por imprevisível, é impossível de prever, tudo o mais pode ser antecipado. Vai abaixo um kit de previsões infalíveis.

Exceto pelo bordão “nunca na história desse país”, que repetirá à saciedade, o Lula de 1º de janeiro será um novo homem. Manterá o nome antigo apenas por comodidade, para não ter de trocar todos os documentos. Mas no fundo, no fundo passará a se chamar JK da Silva –um personagem à direita de Lula e à esquerda de Lula, dependendo da época.

Depois de um discurso de re-posse que exalará pompa, o governo cruzará o ano tropeçando nas circunstâncias. O presidente prometerá desenvolvimento econômico. O PIB pode mesmo experimentar vigorosa recuperação, desde que a economia não volte a registrar um desempenho pífio.

O primeiro ano do segundo mandato será um sucesso, caso não se revele um fiasco. Os jornais não voltarão a noticiar escândalos, bastando para isso que Brasília seja varrida por uma onda de probidade.

A despeito da nova identidade, JK da Silva continuará filiado ao PT. Porém, vai exacerbar o movimento iniciado em 2003. Levará o ecumenismo político às últimas conseqüências. Sua grande tacada será a “coalizão”, novo eufemismo para fisiologia.

Depois de anunciar o último nome do “novo” ministério, o presidente desfilará pelos salões de Brasília de mãos dadas com o PMDB, que lhe baterá a carteira na primeira oportunidade. O casamento correrá às mil maravilhas. O que parecia mera estratégia política ganhará ares de comunhão de estilos.

Distanciado dos principais cofres, o PT protagonizará cenas de ciúme explícito. Os queixumes serão pendurados nas manchetes dos jornais. Em meio à algaravia, o brasileiro voltará a ser assaltado (com duplo sentido, por favor) pela incômoda sensação de que a Esplanada voltou a ser ocupada por dois tipos de ministros: os incapazes de todo e os capazes de tudo.

O novo Congresso sofrerá um processo de envelhecimento precoce. Votações importantes serão condicionadas ao tilintar de verbas e cargos. O Planalto será compelido a negociar tudo. Inclusive os escrúpulos.

Desiludida, a esquerda vai se mudar para um grotão. Alugará um casebre vizinho ao barraco da social-democracia. Penduradas na rede de proteção social do governo, as duas velhotas usarão as migalhas do Bolsa Família para comprar aguardente. Viverão em porre eterno. Evitarão sair às ruas, com medo de ser apedrejadas. Passarão noites em claro relendo Karl Marx e Max Weber. Nas horas vagas, jogarão dardos. Como alvos, um retrato de Lula e outro de FHC.

Se o Apocalipse não vier, 2008 vai chegar no exato instante em que dezembro de 2007 acabar. Junto com o burburinho das eleições municipais, surgirão as primeiras notícias sobre a iminente troca de cúmplices. E virá outra reforma ministerial.

O Ano-Novo será, portanto, aquela coisa velha de sempre. Mas não se apavore. Você será muito feliz, desde que não seja acometido por um surto de desoladora infelicidade.

Feliz Ano Novo!!!

Também desejo aos amigos, um ano muito especial!

Muita saúde e muita paz...."paiz" porque o resto...

....o resto a gente corre "atraiz"...

Amigos, vamos continuar chegando junto, espero participar mais, mas, sei lá...não posso prometer, pois estou muito preguiçosa para pensar....hehehehe

ESTÁ CHEGANDO A HORA...

2007 está chegando e promete grandes espetáculos. ELE novamente, Xuxa, Faustão, Gugu, Páginas da Vida, muita ética, Flamengo com mania de abismo, tudo num verdadeiro VALE A PENA VER DE NOVO global.

Este ano nem vou lá na praia ver os fogos, já nem sei se são fogos ou bombas... UM HORROR!

Mas temos que acreditar e desejo aos amigos um FELIZ 2007. MUITA PAZ, SAÚDE E REALIZAÇÕES. E que possamos continuar chegando junto.

30 dezembro 2006

EU ESTAVA NA PRAIA


Fui ver Iemanja, a rainha do mar, mas estava muito sol, um calor escaldante, não sei se baixou algum santo, fiquei dominado, meio confuso, não sei bem o que vi, se foi Rainha ou Deusa, mas estava lá e merecia muitas flores... Acho que vou voltar amanhã para ver melhor.

Está tudo ok...

Ney, parece estar abrindo normal o blogg.

O clima e pesado!

Rio 40 graus! O verão começou quente no RJ. Estamos numa merda só. A Rosinha já vai tarde e nós nem sabemos se vai melhorar ou piorar.
Feliz 2007 e muita munição pra enfrentar tudo isso.

Huhu...


É isso aí Ney!

Eu já estava aqui a reclamar sua ausência!!!

Temos que estar juntos para a posse!!!

huhu...

O POVO NÃO AGUENTA MAIS

Pois é, Heli, mas o povo começa a reagir com extrema indignação com essa matança de inocentes. Nas ruas e nos meios de comunicação o povo clama por mais rigor nas leis.

NEYNITEROI CONECTADO

Já estou conectado pela NET no meu velho computador. O novo, pelo VELOX, ficou mais para o neto. Estarei mais presente e CHEGANDO JUNTO.

Abandono total...


Vocês me abandonaram aqui....
Assim não vale!!!

Vou sumir também, ainda mais depois de ver as imagens horríveis que os jornais apresentaram nesta manhã!!!


Acho que há coisas boas também para mostrar, mas parece que só o que é ruim se destaca em nosso mundo!!!
Quem é que está a fim de ver gente sendo enforcada? Seja lá quem for....Droga!!!!

Estou chateada, decepcionada e triste!!!!

Fui....

28 dezembro 2006

2006/2007

RIO - Bandidagem encerra o ano com crime organizado matando muitos inocentes. Que será de 2007 !?

27 dezembro 2006

ASTRONAUTA EM ÓRBITA

Link acima - ligue o som

PESSOAS COM MAIS DE 40 ANOS

"As pessoas com mais de 40 anos..."Nascer nos anos 50 ou 60 foi barra. Uma geração foi feita para rompercom a anterior, mas essa chegou ao mundo para mudar todos os conceitosde várias gerações. Faz apenas 50 anos que apareceu a televisão, ochuveiro elétrico, a declaração dos direitos humanos e a revistaPlayboy. Casar era pra sempre, sustentar filhos era até quando elesconseguissem emprego, as certezas duravam a vida toda e os homens eramos primeiros a serem servidos na sala de jantar. As avós eram umasvelhinhas e hoje uma mulher de 40 ou 50 anos é um mulherão. Todos nosvestimos como nossos filhos. Não existem mais velhos como antigamente. Essa foi uma geração que mudou tudo. Culpa da pílula, dos Beatles,da Internet, da globalização, do muro de Berlim, da televisão, datecnologia, do Viagra. Até morrer ficou diferente.Na minha rua havia um velhinho que morria aos poucos. Ficou uns dezanos morrendo e isto aconteceu logo depois de completar 57 anos. Hojese morre com 80 ou aos 90 e é um vapt-vupt. Com a pílula, a mulherteve os filhos que quis e ela sempre quer poucos. Como não conseguimosmais sustentar uma família, elas foram à luta e saíram para poderpagar a comida congelada, a luz e o telefone. Se a coisa não vai bem:é fácil a separação, difícil é pagar a pensão.Hoje aprendemos a ouvir as crianças falando sobre namorado da mãe e opai do irmão e temos apenas 15 minutos para ficar com a certeza de quetudo isso é normal e saudável. As pessoas que têm mais de 40 anos têm15 minutos para dar uma opinião sobre o clima da terra, o aquecimentoglobal, os transgênicos, as mortes das baleias, a guerra da Chechênia,o orgasmo múltiplo, a venda e a falta de empregos, os muçulmanos, areforma agrária. Sem esquecer de ser politicamente correto, é claro.Em 50 anos tiraram a filosofia da educação e como o pensamento erareprimido pela revolução tudo virou libertação. Pedagogia dalibertação, teologia da libertação, psicologia da libertação. Deu noque deu. Burrice liberada. Burrice eleita.As pessoas de mais de 40 anos aprenderam à tapa e na rapidez aassimilar todas as mudanças do mundo. Os filhos, por falta de emprego,não têm mais anseios de ir embora. Ficam morando eternamente emandando na casa e com os controles remoto da TV, do DVD, doar-condicionado na mão. Afinal, quem detém o poder do controle remotomanda na casa. São eles.Um amigo lá na casa dos 40 contou que o pai sentava-se à mesa e a mãeservia o prato. Quando era galinha, ela vinha inteira. O pai gostavade sobre-coxa. Pronto, as duas eram para ele. Meu amigo também adoravasobre-coxa, mas pensava que quando se casasse sentar-se-ia à mesa ereceberia a maravilha de ser agraciado com o fruto de seu desejo. Aí,a libertação aconteceu e os filhos passaram a se servir primeiro. Odesgraçado do filho mais velho deu para gostar da sobre-coxa. Elecontava que apenas quatro vezes na vida conseguiu comer o que maisgostava. E nem dar um tapa no filho pode. Pode ficar traumatizado.As pessoas de mais de 40 anos sabiam de cor a escalação do seu time docoração (o meu que é o Fluminense era assim, quando foi campeãocarioco de 1969 em cima do Flamengo, numa memorável final, onde venceupor 3 x2: Felix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antonio; Denílson eLulinha; Wilton ou Cafuringa, Flávio, Samarone ou Cládio e Lula). Hojeaprenderam a escalação do Botafogo de Ribeirão Preto, que tinha noataque Polleto, Buratti, Barquete e Palloci. E como esses carasroubavam no jogo! Para as pessoas de mais de 40 anos, palhaço era oCarequinha da TV TUPI. Hoje o povo inteiro é meio palhaço, meiopateta. Ladrão era Corunilha, hoje os ladrões tomaram conta dospalácios, da Câmara e de uma cidade que não existia, chamada Brasília.Ângela dançaria só na zona.Naqueles tempos, frango jamais ficava gripado, no Rio Grande do Sul sótinha enchente, presidente era alfabetizado, experiência com feijão ealgodão germinando a gente fazia na escola e não em vôo espacial.Movimento social era reunião dançante, dia da mentira não era datanacional, piercing quem usava era índio botocudo, mansão do lago eraalgo de filme de terror e não lugar onde se divide dinheiro.O homem chegava à lua e descobria que a Terra era azul, hoje umbrasileiro se emocionou ao ver o Brasil lá do alto, é marrom e fede;caseiro não era mais ético do que ministro; quadrilha era dança e nãorazão de existir de partido político; operário era padrão e não rimavacom ladrão. Ninguém tinha um esqueleto no armário nem dava tiro no pé.Manteiga era usada pelo Marlon Brando no Último Tango em Paris. Pizzase comia em casa e era bem alta, com molho de tomate e sardinha; hojeentregam uma a toda semana no Congresso do Planalto. O clube doscafajestes eram uns playboys e não um País.As pessoas de + de 40 anos estão assim meio tontas, mas vão levando.Fumaram e deixaram de fumar, beberam um whisky com muito gelo, hojetomam água mineral, foram marxistas até descobrir quem foram os irmãosMarx, não têm mais certeza de nada e a única música do Beatles a tocaré "Help".Pára Brasil, que os caras de mais de 40 anos querem descer!Ao ler esta mensagem dá um aperto no coração só de pensar que tudoisso é verdade! Que a nossa realidade está de fazer vergonha! E opior, será que alguém sabe o que é "vergonha"?!

FÉRIAS

Fica difícil acessar o computador, pois o neto é dono do pedaço. A NET ainda não veio instalar o acesso no antigo. Mas estou na área, lendo aqui do shopping e chegando junto.

"Para Sara, Raquel, Lia e para todas as crianças"

Eu adoro esse poema....


"Para Sara, Raquel, Lia e para todas as crianças"
Carlos Drummond de Andrade

Eu queria uma escola que cultivasse
a curiosidade de aprender
que é em vocês natural.

Eu queria uma escola que educasse
seu corpo e seus movimentos:
que possibilitasse seu crescimento
físico e sadio. Normal.

Eu queria uma escola que lhes
ensinasse tudo sobre a natureza,
o ar, a matéria, as plantas, os animais,
seu próprio corpo. Deus.

Mas que ensinasse primeiro pela
observação, pela descoberta,
pela experimentação.

E que dessas coisas lhes ensinasse
não só o conhecer, como também
a aceitar, a amar e preservar.

Eu queria uma escola que lhes
ensinasse tudo sobre a nossa história
e a nossa terra de uma maneira
viva e atraente.

Eu queria uma escola que lhes
ensinasse a usarem bem a nossa língua,
a pensarem e a se expressarem
com clareza.

Eu queria uma escola que lhes
ensinassem a pensar,
a raciocinar, a procurar soluções.

Eu queria uma escola que desde cedo
usasse materiais concretos para que vocês pudessem ir formando
corretamente os conceitos matemáticos, os conceitos de números,
as operações... pedrinhas... só porcariinhas!...
fazendo vocês aprenderem brincando...

Oh! meu Deus!

Deus que livre vocês de uma escola
em que tenham que copiar pontos.

Deus que livre vocês de decorar
sem entender, nomes, datas, fatos...

Deus que livre vocês
de aceitarem conhecimentos "prontos",
mediocremente embalados
nos livros didáticos descartáveis.

Deus que livre vocês
de ficarem passivos, ouvindo e repetindo,
repetindo, repetindo...

Eu também queria uma escola
que ensinasse a conviver,
a coooperar,
a respeitar,
a esperar,
a saber viver em comunidade,
em união.


Que vocês aprendessem
a transformar
e criar.

Que lhes desse múltiplos meios de vocês expressarem cada sentimento,
cada drama, cada emoção.

Ah! E antes que eu me esqueça:

Deus que livre vocês de um professor incompetente.

Mídia brasileira é ameaça à democracia.

Boa leitura!
Esse assunto pode dar pano pra manga!!
Bom, se vivêssemos numa DEMOCRACIA....talvez as coisas fossem diferentes...



Vermelho Online (14/11/2006)Paulo Henrique Amorim: Mídia brasileira é ameaça à democracia

O jornalista Paulo Henrique Amorim está empenhando na batalha pela democratização da mídia. Boa parte de seus textos, publicados no site Conversa Afiada, condena o monopólio e a feição golpista do jornalismo brasileiro. ''Essa mídia, como está aí, é uma ameaça à democracia'', declarou ao Vermelho, na terceira entrevista da série ''Mídia x Mídia''.

Aos 64 anos, formado em Sociologia, Paulo Henrique acredita que veículos tradicionais e conservadores não têm saída e tendem a piorar. Mas a Veja, aponta ele, avançou ainda mais no radicalismo: ''Hoje, ela é mais do que conservadora. É uma revista de extrema direita''. Em sua opinião, o que a mídia fez no segundo turno configura um golpe - e a bandeira da liberdade de imprensa é usada como falácia para justificar desmandos dos jornalistas.

Paulo Henrique também ataca a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, que ficou restrita à classe média. A medida, segundo ele, deixou as redações sem ''proletários'', sem profissionais com ''sentimento de solidariedade''. Já os partidos políticos, a seu ver, ainda não sabem usar a internet, com exceção do PCdoB. É o que ele escreveu em artigo para o Conversa Afiada - e o que confirmou na entrevista abaixo.

Por que você diz que o PCdoB é o partido que usa a internet mais adequadamente?

Eu disse isso no artigo no iG (portal que hospeda o Coversa Afiada) e reflete exatamente a minha opinião. Acho que é o melhor site de partido do Brasil em termos de capacidade de atualização, dinamismo e conteúdo. A coisa que mais irrita na internet é o site ficar velho. E o Vermelho é rápido, tem qualidade nas reportagens, tem artigos de opinião. Visito o Vermelho com muita freqüência.

A internet é um campo em que os partidos precisam avançar mais?

Acho que sim. É um terreno que os políticos, sobretudo aqueles ligados ao trabalhismo, precisam explorar. Esta eleição nos Estados Unidos, agora, mostrou a força da internet. Um dos motivos que explicam essa vitória retumbante dos democratas foi o trabalho que vem sendo feito, há uns quatro ou cinco anos, de investimentos em comunicação através da internet.

Acho que o presidente Lula está, de certa maneira, sitiado pela imprensa escrita e por uma boa parte da imprensa de televisão. Não é por acaso que a empresa líder no jornalismo televisivo, que é a TV Globo, contribuiu para aquilo que considero o golpe da mídia no primeiro turno. O governo Lula deveria dar o salto tecnológico e, entre outras providências, investir maciçamente na comunicação pela internet.

A minha questão é a da democratização da informação numa sociedade complexa, diferenciada, desigual, como a brasileira, que tem a mídia que tem. Talvez seja a batalha mais interessante que a minha geração de jornalistas possa travar neste momento: contribuir para democratizar a mídia. Como democratizar os meios de comunicação de massa se Lula tem praticamente todo mundo do setor contra ele?

Menos o povo, né?

Sim, menos o povo... Segundo o jornal New York Times, a vitória do presidente Lula foi ''esmagadora'' - adjetivo que nenhum jornal brasileiro usou. Foi uma vitória acachapante, mas também uma vitória ideológica.

No segundo turno, Lula jogou a campanha para a esquerda, para os traços principais do trabalhismo brasileiro, a começar pela questão da privatização. Pessoalmente, tenho uma série de restrições a isso. Não vejo a privatização como um bicho de sete cabeças. Independentemente da minha opinião, o presidente Lula jogou a discussão para o eixo central do pensamento trabalhista no Brasil - que é a questão da nacionalização, da estatização, da integração do Estado com a economia. Ele foi lá para trás, foi buscar Getúlio Vargas, Jango, Petrobras, Eletrobras. Ele não só ganhou com a maioria esmagadora do povo brasileiro. Usou também uma linguagem mais trabalhista e mais ideológica do que foi no primeiro turno e do que foi nas eleições de 2002.

O que está acontecendo no Brasil é um fenômeno típico da América Latina: correntes políticas conservadoras controlam os meios de comunicação tradicionais - a chamada mídia tradicional. E não tem saída. Porque essa mídia tem de ser fiel ao público dela, não pode correr o risco de tentar conquistar um outro público e perder o atual, que é um público conservador, tradicional.

Além do mais, ela precisa ter uma forte coloração partidária e política para manter a fidelidade de seu consumidor. Ou seja, essa mídia tradicional que está aí não vai mudar. Ela deve até piorar - deve aprofundar o compromisso ideológico com as correntes conservadoras do país.

Não é por acaso que o ídolo dessa corrente conservadora que se expressa na mídia brasileira, sobretudo na mídia impressa, é o Fernando Henrique Cardoso - que, por uma armadilha do destino, uma peraltice da história, se tornou o mais legítimo sucessor do Carlos Lacerda. Nas eleições, ele dizia que precisávamos de um Lacerda. Não precisávamos de um: ele era o Carlos Lacerda.

A mídia não tem saída?

Não. Como falei, não acho que a mídia vá fazer um mea-culpa ou vá se modificar. Essa mídia que temos vai daí para pior, porque ela não tem saída. Não podemos nos esquecer de que a indústria da imprensa escrita, de produção de jornal - a mídia toda está do lado dos setores perdedores. Eles perderam a batalha do crescimento econômico. A Brasil Telecom fatura em um trimestre o que a TV Globo fatura em um ano inteiro. O setor de telecomunicações é que é vencedor.

Essa mídia, como está aí, é uma ameaça à democracia. O professor Wanderley Guilherme dos Santos tem uma frase definitiva: ''Esta mídia tem o poder de provocar crises''. É essa a força da mídia conservadora brasileira, como é a da mídia do México, do Chile, da Argentina e da Venezuela. Diz o professor: ''Em nenhuma democracia madura do mundo, a mídia tem o poder que tem no Brasil''. É uma anomalia.


Em uma edição recente da revista Imprensa, o Caio Túlio Costa declarou que a Veja sempre foi conservadora. Você entrou na Veja lá no começo... É, eu sou da equipe que fundou a Veja, junto com o Mino Carta. Acho que o Caio levou o conceito de conservador muito para trás no tempo. Houve um período em que a Veja, ainda na gestão do Mino, desempenhou um papel muito importante na batalha da liberdade de imprensa durante os anos militares. Eu não diria que ela foi sempre uma revista conservadora. Hoje, ela é mais do que conservadora. É uma revista de extrema direita.

O que é liberdade de imprensa? Por que toda crítica à mídia é vista pela própria mídia como um ataque à liberdade de imprensa?

Isso é uma falácia. Liberdade de imprensa é todo mundo - todos os grupos, facções e minorias - ter a possibilidade de expor suas idéias. E na mídia conservadora brasileira, especialmente na mídia impressa, isso não é acontece. A cobertura dessa eleição foi distorcida, parcial, engajada e partidária. O objetivo, durante todo o governo Lula, foi abreviar o mandato do presidente. A mídia jogou pelo impeachment desde o primeiro dia de governo. Esta é a minha opinião e é a opinião da professora Marilena Chauí, que eu respeito muito.

Tem uma frase que o Mino costuma dizer...

...que jornalista chama patrão de colega. Isso é uma obra-prima! Aliás, a prefeita Marta Suplicy nos propiciou aqui, em São Paulo, a glória de termos uma avenida chamada ''Jornalista Roberto Marinho''.
É a mesma coisa que dizer que o Walter Moreira Salles era bancário. O bancário Olavo Setúbal, o trabalhador em mineradora Antonio Ermírio de Morais. Ora, vamos e venhamos!
Faça uma avenida com o nome de Vladimir Herzog. Ou dê o nome de Getúlio Vargas - porque São Paulo é a única metrópole brasileira que não tem uma avenida importante chamada Getúlio Vargas.
A prefeita Marta Suplicy, de um partido trabalhista, inaugurou uma avenida com o nome de um jornalista, que não era jornalista e que foi um dos maiores inimigos da causa trabalhista.

Quando comecei a trabalhar no Jornal do Brasil, no Rio, havia um jornalista muito competente chamado José Silveira. Dizia ele que, quando o Aarão Steinbruch aprovou no Senado a lei do 13º salário, o Roberto Marinho fez um editorial dizendo que o trabalhador brasileiro saberia rejeitar essa manifestação populista. E foi esse camarada que a Marta Suplicy resolveu homenagear como ''jornalista''. Muitas vezes, aqueles que estão nas redações também têm dificuldade de enxergar as coisas por um outro viés...

Mas aí está uma entrevista que fiz aqui, no Conversa Afiada, com esse grande jornalista, esse grande brasileiro, chamado Mauro Santayana. Ele diz que os jornalistas perderam a compaixão, o sentimento de solidariedade, provavelmente por causa dessa nefanda lei - nefanda! - que obriga jornalista a ser formado em jornalismo. Agora só existe jornalista de classe média - não tem mais um proletário nas redações.

Quando comecei a trabalhar em jornal, trabalhei com muitos proletários e filhos de proletário. E isso não tem mais - é tudo mauricinho. E eles próprios são mais conservadores que seus patrões. E acatam o que vem da chefia? Não é que acatam apenas. Eles transcendem o conservadorismo do patrão. Ou seja, essa história de que os jornalistas compraram a versão do delegado porque teriam sido pressionados por suas chefias...

Duvido.

Fizeram, alguns deles, com muito entusiasmo
__._,_.___